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Inovação em redes: orquestrando boa idéias

17 de Abril de 2008 às 17:07 Bruno Brant  | Enviar por e-mail Hits para esta publicação: 717

Maestro - Orquestrando
Quem acompanha a indústria aeronáutica deve estar ansioso pela chegada do Boeing 787 ao mercado. O novo avião é uma obra prima da engenharia moderna e traz inúmeras inovações, como consumo de combustível 20% inferior aos concorrentes, turbinas 60% mais silenciosas, menor necessidade de “revisões completas” e outras maravilhas. Antes mesmo de chegar ao mercado já é o maior sucesso de vendas de indústria aeronáutica!

Tanta inovação e sucesso foram possíveis porque a Boeing possui em seu quadro os melhores engenheiros do mundo e seu departamento de P&D é capaz de gerar inúmeras inovações. Certo?

Justamente o contrário! Antigamente a Boeing desenvolvia praticamente tudo “internamente”, escrevia detalhadas especificações da cada uma das peças e pedia que seus fornecedores as produzissem. O que chamou a atenção no desenvolvimento do 787 foi que os fornecedores passaram a participar do desenvolvimento do avião e assumiram grande responsabilidade em relação às inovações. Eles entregarão a aeronave praticamente semi-montada e o que a Boeing terá de fazer é quase “tão simples quanto encaixar peças de Lego”.

Hoje em dia o desenvolvimento de novos produtos está muito relacionado à coordenação de um vasto “ecossistema” de parceiros que possuem habilidades e capacidades complementares. A inovação está menos ligada a “inventar” produtos físicos e mais ligada a orquestrar boas idéias. Para empresas que desenvolvem produtos altamente tecnológicos o desafio tem sido cada vez mais unir os fios dessa enorme rede de criação de valor.

Dasafio mesmo… semana passada a Boeing anúnciou pela terceira vez o atraso no lançamento do novo avião (agora só poderei voar nele em 2009, droga!). O problema parece estar justamente na forma de produzir a aeronave. Parece que alguns fornecedores não estão conseguindo levar os protótipos para produção em escala e a Boeing vai ter que colocar “funcionários graduados” para trabalhar diretamente nas unidades dos fornecedores.

O “caso Boeing” nos mostra que descentralização do P&D tem suas vatagens, pode trazer diferenciais competitivos e agregar a seus produtos inovações que sua empresa nunca seria capaz de gerar sozinha. Contudo, um acompanhamento rigoroso de seus parceiros-chave é fundamental.

Delegue, mas não se esqueça do follow-up.

Fonte:
Wikipedia, O Globo e Wikinomics

Publicação arquivada em: Open innovation, Inovação Empresarial, Produtos, serviços ou processos inovadores, Sistemas de Inovação

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2 Comentários Faça seu próprio

  • 1. Leonardo Lage  |  17 de Abril de 2008 às 17:29

    Tem um documentário da National Geografic que mostra o processo de fabricação do A380. Cada parte do avião é feito em determinado país da Europa. Lembro de duas imagens:
    1. Da asa do avião indo pelas estradas francesas e um verdadeiro exército junto, cortando a fiação das cidades, tirando tudo o que tinha pela frente. E havia uma pequena multidão para ver aquele monstrengo na estrada.
    2. Outro era um estudo da altura das pontes do rio Tâmisa (na Inglaterra) para ver se, no transporte fluvial, determinada peça era capaz de passar debaxio das pontes.
    Realmente, não basta delegar e descentralizar… é preciso saber como congregar e centralizar de volta.

  • 2. Guilherme Pereira  |  18 de Abril de 2008 às 08:34

    O Dreamliner, como é conhecido o 787, é a resposta da Boeing à Airbus. Mas de longe o processo de montagem é “simples”, apesar de vermos as pontes rolantes trabalharem sozinhas no assembly final.

    A Boeing possui sistemas super complexos de assembly alinhados à laser e uma logística impecável com seus fornecedores, que entregam componentes e peças com hora marcada (fornecedores que incluem até a Embraer, no Brasil).

    Por outro lado, a Airbus (com o A380), investiu na produção descentralizada na europa até como política. O projeto atrasou muito por conta disso, ao contrário do Dreamliner. Agora, o que é melhor: ter um avião eficiente e “ecológico” para no máximo 290 passageiros, ou um mega-avião com break-even operacional baixíssimo com quase o dobro dessa capacidade?

    Os números hoje são esses: A380 com 192 encomendas; 787 Dreamliner com 338 encomendas. No futuro, a região asiática será responsável por 30% do tráfego mundial, de um total de 16 bilhões de passageiros, sendo que 80% das aeronaves deverão ser novas (dados para 2026).

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